Por 16 votos a favor e 13 contra, o Senado uruguaio aprovou a chamada
Lei da Maconha. A partir desta quarta-feira (11), o país sul-americano
será o primeiro do mundo a legalizar e regulamentar a produção, venda e o
consumo da erva.
Antes mesmo de a votação terminar, defensores da lei marcharam até o
Congresso para festejar. No Uruguai, o consumo de maconha
(ou de
qualquer outra droga) não é considerado crime há 40 anos, mas era
proibido comprar e vender os produtos. A nova lei pretende acabar com
essa contradição e buscar uma alternativa à guerra contra as drogas.
Estima-se
que 28 mil uruguaios (5% da população entre 15 e 65 anos) fumam um
cigarro de maconha por dia. Comparado com outros países, é um mercado
pequeno - mas move US$ 40 milhões ao ano e tem crescido, apesar das
políticas de combate ao narcotráfico.
O presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, quer que o Estado regule o comércio e uso dessa
droga – a quarta mais consumida no país, depois de bebidas alcoólicas,
cigarros e remédios psiquiátricos. Pelo menos a metade dos uruguaios, no
entanto, segundo as pesquisas de opinião, acha que a nova política não
vai funcionar e que pode inclusive facilitar a vida dos
narcotraficantes.
Pela nova lei – que deve levar cerca de 120
dias para ser regulamentada e colocada em prática – o governo vai
distribuir licenças para o cultivo de até 40 hectares de marijuana, que
será usada em pesquisas científicas, na indústria e para consumo
recreativo. Os consumidores (residentes uruguaios maiores de 18 anos e
devidamente registrados) terão direito a comprar até 40 gramas por mês
nas farmácias, a preços inferiores aos do mercado negro. E quem quiser
pode plantar até seis pés de maconha em casa – sempre e quando forem
declarados.
Os críticos da lei dizem que o governo não tem como
controlar o cultivo doméstico ou impedir que um consumidor uruguaio
compre a droga na farmácia para revendê-la no mercado negro. Os
defensores da lei argumentam que a “guerra contra as drogas”,
implementada durante as últimas décadas, fracassou no Uruguai e em
outros países.
Em 2016, a Organização das Nações Unidas vai rever
as políticas de combate ao narcotráfico e seus resultados. Segundo
Diego Pieri, que fez campanha pela aprovação da lei uruguaia, nos
últimos anos mais países e até estados norte-americanos têm buscado
alternativas para regular o mercado em vez de tentar destrui-lo com
armas. “Os ventos estão mudando, mas vai levar tempo convencer outros
países a mudar de estratégia”, disse Pieri, em entrevista à Agência
Brasil. “Por isso mesmo, o presidente Mujica pediu apoio internacional à
sua iniciativa”.

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